Quatro anos após a legalização da maconha para todos os fins no pioneiro Colorado e 22 anos após o uso medicinal ser permitido na Califórnia, a erva está presente em 30 Estados para uso médico e em nove e no Distrito de Colúmbia (onde fica a capital Washington) de forma recreativa. Com isso, a cannabis já movimenta de US$ 8 bilhões (R$ 32,8 bilhões) a US$ 10 bilhões (R$ 41,1 bilhões) por ano no país, além de empregar cem mil pessoas.
“O mercado cresceu 60% em um ano. Com a previsão de novas legalizações e o fim da insegurança jurídica, além da aprovação de uso medicinal em outros países, esse mercado pode ser de dez a 15 vezes maior em uma década”, afirmou Chris Walsh, fundador e vice-presidente do Marijuana Business Daily, conhecido como MJBizDaily’s, o primeiro portal americano de negócios de maconha, que estima faturamento de até US$ 10 bilhões do setor neste ano.
As boas expectativas não surgem apenas da possibilidade de mais dois Estados legalizarem a maconha recreativa neste ano — Dakota do Norte e o populoso Michigan —, além de Ohio em 2019, mas da menor resistência dos conservadores à sua legalização. O fato de dois locais tradicionalmente conservadores, Utah e Missouri, tenderem a aprovar o uso medicinal da maconha em novembro, e que os veteranos cada vez mais a usem até para tratar doenças e traumas de guerras é um sinal forte, que em parte encobre a dubiedade do governo Donald Trump sobre o tema.
“Nunca sabemos o que o governo Trump de fato faria”, disse Walsh. “E, apesar de alguns retrocessos no começo do ano, como quando Jeff Sessions (procurador-geral dos EUA) propôs controlar o dinheiro dessa indústria, o setor está se desenvolvendo.”
Na semana passada, o BuzzFeed publicou uma reportagem que apontava que, dentro do governo, havia um esforço secreto contra a maconha. De acordo com o veículo, havia uma determinação sigilosa para dificultar os negócios e divulgar aspectos maléficos da erva. Isso apesar de Trump já ter se manifestado a favor das decisões de cada Estado. Mas essa falta de clareza ainda assusta o setor:
“Declarações recentes sugerem que ele estaria disposto a assinar uma lei que permitiria aos Estados determinar suas políticas de maconha. No entanto, isso não oferece segurança jurídica. Embora o Departamento de Justiça não tenha reprimido os negócios legais de maconha, ele retém o poder de fazê-lo quando quiser, e os promotores federais não precisam da permissão do presidente para julgar casos contra pessoas ou empresas que violem leis federais de maconha”, disse Morgan Fox, diretor de relações com a imprensa da Associação Nacional da Indústria da Maconha (NCIA, na sigla em inglês).
Mas o fato de 64% dos americanos aprovarem a legalização da maconha recreativa anima agentes econômicos. Tom Adams, diretor administrativo de inteligência industrial da BDS Analytics, acredita que a maconha poderá estar nacionalmente legalizada nos EUA em 2021.
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