quarta-feira, 11 de julho de 2018

Caso Lula monopoliza as redes e dá oxigênio à estratégia do PT

Dirigentes do PT em reunião em São Paulo após guerra de decisões sobre Lula.
Dirigentes do PT em reunião em São Paulo após guerra de decisões sobre Lula.  EFE
A guerra jurídica aberta pela libertação ou não do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no domingo gerou uma onda em cima da qual o Partido dos Trabalhadores agora trata de surfar. Em meio a um cenário eleitoral ainda incerto em que alianças partidárias começam a ser costuradas quase sempre com a condicionante "sem Lula", os holofotes se voltaram mais uma vez para o ex-presidente, que monopolizou o noticiário. Nas redes sociais, as menções a Lula foram campeãs absolutas entre os pré-candidatos a presidente, segundo a análise da consultoria Atlas Político. Para o PT foi um fôlego em uma hora necessária. O partido insiste que vai lançar o ex-presidente ao Planalto, apesar da provável impugnação de sua candidatura pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE)  por causa da lei da Ficha Limpa. A disputa legal serve para tentar manter coesa uma militância com líder ausente e minimizar as vozes que pedem, até mesmo no partido, que um plano B para Lula seja escolhido já. Nesta segunda-feira, durante entrevista na sede da legenda em São Paulo, a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann,  voltou a dizer que essa possibilidade nem sequer está em discussão e prometeu que a candidatura do ex-presidente será registrada no dia 15 de agosto em meio a um grande ato. "Não vamos arredar o pé", garantiu.Todo o lance do fim de semana teve direção político-jurídica, e não o protagonismo dos advogados titulares da defesa do petista. O pedido de habeas corpus assinado pelos deputados federais petistas Paulo Pimenta, Paulo Teixeira e Wadih Damous não resultou na libertação de Lula, mas acabou expondo o juiz da Operação Lava Jato, Sérgio Moro, e integrantes do próprio Tribunal Regional Federal 4ª região (TRF-4), que se desdobraram — e angariaram críticas — por terem extrapolado o papel que lhes cabia para impedir que o ex-presidente fosse solto, mesmo que por algumas horas.
A jogada do trio petista foi aproveitar que o desembargador Rogerio Favreto, filiado até 2010 ao PT, estava de plantão no TRF-4 para conseguir um alvará de soltura nas primeiras horas de domingo. Moro, juiz de primeira instância que condenou o ex-presidente no caso triplex, se envolveu no caso emitindo documento para questionar a competência de Favreto. Mesmo estando de férias em Portugal, Moro articulou com a Polícia Federal que Lula continuasse preso até que o relator do caso na segunda instância, o magistrado João Pedro Gebran Neto, que tampouco trabalhava naquele dia, se manifestasse para impedir sua soltura. O desfecho veio das mãos do presidente do tribunal, o desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores, que agiu para manter o petista preso. Toda essa sequência de fatos, que despertaram um país ainda na ressaca da eliminação da seleção brasileira na Copa do Mundo da Rússia, foi usada para reforçar o argumento do PT de que o ex-presidente vem sendo vítima de uma perseguição por parte de setores do Judiciário que não medem esforços para mantê-lo longe da disputa eleitoral.
Na ultima segunda, a aposta no discurso apareceu redobrada — ignorando, obviamente, que não apenas Moro, mas também o desembargador Favreto, estão na berlinda dos juristas. "Consideramos absolutamente grave o que aconteceu ontem. Estamos num aprofundamento da instabilidade institucional do país, um rompimento da ordem democrática, quando a primeira instância do judiciário não aceita uma decisão judicial. Quando a Polícia Federal, um órgão do Executivo, não executa uma ordem judicial. Isso é um ataque ao devido processo legal. E isso é dirigido ao presidente Lula, que é a grande vítima da situação", disse Gleisi Hoffmann. "Lula esteve praticamente na porta da Polícia Federal para sair. Havia um comboio de carros para retirá-lo de lá. Infelizmente um conluio da Polícia Federal com o juiz Sérgio Moro e dois desembargadores do TRF-4 impediram ele de sair", acrescentou. A senadora do Paraná também assegurou que os próximos dias servirão para reforçar o abaixo-assinado pela liberação do ex-presidente — "mostrou-se que é viável essa liberdade", disse ela — e para realizar atos, inicialmente marcados para os dias 13 de julho e 10 e 15 de agosto, para mobilizar a militância e lançar medidas emergenciais a serem adotadas por um eventual Governo petista.
Gleisi Hoffmann

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